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Impacto Ambiental das Barragens Hidrelétricas

Os projetos hidrelétricos, no caso brasileiro, assumem especial importância porque “a hidroeletricidade é à base do suprimento energético do Brasil”, tratando-se, na maioria dos casos de hidrelétricas de grande porte situadas a grande distância dos centros consumidores.

As obras hidrelétricas, de uma forma geral, produzem grandes impactos sobre o meio ambiente, que são verificados ao longo e além do tempo de vida da usina e do projeto, bem como ao longo do espaço físico envolvido.

Os impactos mais significativos e complexos ocorrem nas fases de construção e de operação da usina, os quais poderão afetar o andamento das próprias obras.

A hidroeletricidade, para a situação brasileira, é considerada a melhor solução técnica e econômica, em face dos riscos ambientais e dos custos, se comparada com a energia nuclear.

Sendo também a melhor alternativa de geração elétrica quando comparada com a termoeletricidade a combustíveis fósseis, pois tem como vantagens o fato de ser renovável e disponível no país a menor custo.

Os empreendimentos hidrelétricos inserem-se dentro do interesse coletivo de uma sociedade por elevar, através da oferta de energia, a qualidade de vida da população.

No entanto, além dos benefícios energéticos devem ser considerados os efeitos prejudiciais do empreendimento.

Os projetos hidrelétricos devem ter como objetivo elevar a qualidade de vida da população promovendo o uso racional e sustentável do recurso.

Para isso, a gestão ambiental deve começar nas fases iniciais do projeto, passando pela etapa de construção e continuar ao longo da vida útil da usina; a fim de minimizar os efeitos negativos e maximizar os benefícios do empreendimento.

A gestão ambiental também pode contribuir para melhorar o design e funcionalidade da obra, contribuindo para a redução de seus custos globais, minimizando imprevistos, atenuando conflitos e ajudando na preservação da obra e do meio ambiente.

Dentro desta concepção, um determinado projeto hidrelétrico deve ser considerado como de aproveitamento múltiplo, onde o energético faz parte dos diferentes outros usos da água e cuja preponderância irá depender de diferentes fatores.

As usinas hidrelétricas são empreendimentos planejados para um horizonte de tempo longo. São freqüentes as hidrelétricas que ultrapassam algumas gerações, funcionando com interrupções apenas de manutenção.

A energia hidrelétrica é um dos sistemas que se enquadram nos conceitos de operação ou desenvolvimento sustentável.

No entanto, os impactos e conseqüências também devem ser sustentáveis. “Ainda que a geração hidrelétrica seja sustentável, algumas regiões atingidas para que ela fosse gerada tiveram, em lugar de desenvolvimento, retrocesso insustentável.

1 – Fator abiótico

1.1 – Águas (Hidro e limnologia)

Os ambientes hídricos podem ser classificados em lóticos (rios) e lênticos (lagos). A maior alteração causada pela construção das barragens fica por conta da transformação de meios lóticos em lênticos. Devido a esta mudança, as características físico-químicas das águas sofrem alterações bruscas, criando um novo ecossistema que, aos poucos, retorna a seu equilíbrio.

1.1.1-Redução da concentração de oxigênio

O agito das águas é muito importante para a sua oxigenação. Com a transformação de um meio lótico em lêntico, a concentração de oxigênio dissolvido na água diminui. O grande potencial oferecido pelas quedas d’água atrai a construção de barragens para estes locais, extinguindo um importante mecanismo de oxigenação da água.

Para minimizar o efeito da redução de oxigênio dissolvido, deve-se estudar a altura, na coluna de água do reservatório, onde será feita a tomada de água para a geração de energia elétrica, evitando uma depleção do oxigênio ainda maior. Também se podem construir pequenas quedas d’água artificiais para a oxigenação da água.

1.1.2-Estratificação térmica

A estratificação térmica pode ser observada no grande lago formado pela barragem, onde, com suas grandes profundidades, formam-se camadas de água com diferentes temperaturas e conseqüentemente, camadas com diferentes concentrações de oxigênio, limitando o desenvolvimento de espécies aquáticas a uma camada em específico.

1.1.3-Estratificação hidráulica

Assim como a estratificação térmica, a hidráulica forma várias camadas de água com diferentes concentrações de material hidrotransportado, inclusive nutrientes, resultado da tomada de água da hidrelétrica.

1.1.4-Retenção de material sólido hidrotransportado

Os rios que deságuam no reservatório são responsáveis pelo transporte de material sólido hidrotransportado que, ao encontrarem um meio lêntico (águas calmas), este material decanta no fundo do reservatório causando o assoreamento do mesmo (diminuição da profundidade do lago formado).

Não há como evitar a retenção do material sólido, mas as manutenções das matas ciliares, dos rios que deságuam no reservatório, evitam que este material sólido seja transportado do solo para os rios, pela chuva.

1.1.5-Variações do nível e da vazão do reservatório

A inconstância das tomadas de água, que dependem da demanda de energia elétrica, pode causar erosão das margens e piracemas (migração de peixes para a reprodução) fora da época.

1.1.6-Elevação dos níveis freáticos

A pressão hidrostática pode aumentar os níveis freáticos da região, causando uma maior ocorrência ou inversão dos lençóis freáticos. Isto pode causar a poluição de poços artesianos, o alagamento de áreas não previstas, causando a necessidade de indenizações adicionais ou a inviabilidade de culturas agrícolas, e até o aumento da ocorrência de abalos sísmicos.

1.2 – Clima

Para descobrirmos as influências de um reservatório sobre o clima de uma região precisamos entender as condições meteorológicas antecedentes à formação do lago e verificar quais são os fatores que determinam as propriedades climáticas desta área.

1.2.1 – Temperatura

As médias de temperatura podem apresentar variação na região, principalmente em áreas anteriormente protegidas por vales, ou ambientes protegidos de ventos, que ficarão expostos à margem do novo lago.

1.2.2 – Umidade Relativa

Em regiões de alta umidade atmosférica, a presença do lago não afeta este indicador. Porém, em regiões de clima seco, como em Brasília, o reservatório propicia a evaporação, aumentando a umidade relativa do ar. Além disso, em regiões de clima frio, como no sul do país, o aumento da umidade relativa, devido à presença do reservatório, ajuda a prevenir a formação de geadas.

1.2.3 – Insolação

A formação de neblinas, devido ao aumento da umidade relativa do ar pela barragem, pode concorrer para reduzir a quantidade de horas de incidência solar nas regiões próximas ao reservatório.

1.2.4 – Ventos

A eliminação dos obstáculos ou rugosidades naturais, substituído por um espelho líquido da barragem, faz com que a velocidade dos ventos aumente e se tornem mais perceptíveis à superfície. Além disso, a alteração no padrão dos ventos pode ser prejudicial no caso das dispersões gasosas de indústrias instaladas nas proximidades da barragem.

1.3 – Geologia (Sismologia)

A sismologia estuda as causas e efeitos dos fenômenos relacionados com as fraturas das camadas rochosas da crosta terrestre e os deslizamentos de uma camada ou um bloco de camadas em relação a outras. No caso de barragens, o aumento da pressão hidrostática, produzido pela ação da água infiltrada, pode diminuir a resistência das rochas, reativar falhas geológicas, quebrar camadas rochosas e alterar a resistência do substrato.

1.3.1 – Aumento na freqüência de abalos sísmicos

Os abalos sísmicos provocados pelas barragens variam de acordo como as peculiaridades geológicas da área, a velocidade de enchimento da represa e o tamanho da coluna de água. Além disso, seus efeitos são sentidos depois de algum tempo que o reservatório atingiu sua cota máxima.

Apesar da magnitude e intensidade destes abalos não ultrapassam os de origem natural e de serem considerados eventos raros, as soluções de engenharia e a escolha do tipo de barragem devem prever estes fenômenos. Abaixo segue uma tabela com o registro dos abalos sísmicos ocorridos num raio de 600 km da represa de Itaipú.

2 – Fatores bióticos

2.1 – Afogamento da Vegetação

2.1.1-Produção de gases sulfídricos e de metano

A depleção do oxigênio, causada pelo consumo do mesmo na decomposição da vegetação submersa, é responsável pelo surgimento de gases sulfídricos e de metano, que são poluentes por causarem a chuva ácida e o efeito estufa

2.1.2-Eutrofização da água

A Eutrofização da água é a alta concentração de nutrientes nesta, intensificando o surgimento de macrófitas (plantas flutuantes), que por sua vez, causam outros problemas.

2.1.3-Proliferação de algas

A depleção de oxigênio também favorece a proliferação de algas, alterando o odor, a cor e o gosto da água.

2.1.4-Proliferação de macrófitas

A proliferação de macrófitas é intensificada com a eutrofização da água, causada pelo afogamento da vegetação, e pode ser responsável pela disseminação de vetores de doenças, como insetos e caramujos (vetor da esquistossomose).

2.1.5-Depleção do oxigênio dissolvido

Como explicado anteriormente, o consumo de oxigênio na degradação da biomassa submersa, causa uma depleção do mesmo, prejudicando as formas de vidas aeróbicas, e acelerando o surgimento de algas e a produção de gases.

2.1.6-Ameaça à biodiversidade local

O afogamento de grandes áreas de vegetação pode causar uma diminuição da biodiversidade local e até ameaçar espécies vegetais endêmicas (existentes apenas ali).

A preservação de matas nativas próximas às áreas alagadas é essencial à manutenção da vida animal. Também deve ser feito o resgate e cultivo de espécies vegetais em Unidades de Conservação, para manter a biodiversidade.

2.2 – Fauna terrestre

Os aspectos físicos e morfológicos da vegetação condicionam seu habitat e sua fauna. Além deles, as relações interespecíficas (presas e predadores, competidores e parasitas etc.) e o que se convenciona chamar de “nicho”, determinam o equilíbrio entre as espécies da região a ser alagada.

2.2.1 – Deslocamento de animais de seu habitat natural

Salvar todos os seres vivos de uma área em inundação é naturalmente impossível, especialmente quando se sabe que 85% das espécies animais pertencem à classe dos insetos e que, por sua vez, compreendem 90% da biomassa animal das regiões tropicas. Atenuar este forte impacto implica em resgatar a flora e a fauna, assim como preservar áreas representativas dos ecossistemas com riscos de alteração.

2.2.2 – Afogamento de animais que não conseguiram fugir

O pensamento acadêmico defende a tese de que a morte das espécies pertencentes à região a ser alagada é preferível a deslocá-las para regiões onde a vida silvestre ainda não foi afetada.

Neste caso há um conflito de interesses entre a empresa concessionária, que deseja preservar a sua imagem, e a linha de pensamento proposta acima.

2.2.3 – Desequilíbrio de outros habitats onde foram introduzidos animais resgatados

Quando o resgate da fauna é promovido com o objetivo único e exclusivo de causar boa impressão à opinião pública, os resultados são sempre insatisfatórios. As experiências mostram que o resgate dos animais em áreas em inundação e sua posterior liberação em outros locais, sem os devidos critérios, acabam levando à morte tanto os animais resgatados como os outros animais, vítimas da competição por alimento e espaço, anteriormente inexistente.

2.3 – Fauna aquática

2.3.1-Alteração das espécies aquáticas no reservatório

Com a transformação de um ambiente lótico em lêntico, os organismos aquáticos que precisam de águas com características lóticas, com alta taxa de oxigênio dissolvido, mecanismos especializados de alimentação, nutrientes típicos de águas correntes e outros fatores, migraram para os rios contribuintes do reservatório, em busca destes ambientes. No reservatório, se desenvolverá espécies favorecidas pelos meios lênticos, mas mesmo estes sofreram certas dificuldades como a estratificação térmica e oscilações no nível do reservatório.

2.3.2-Influência na ocorrência da Piracema

A Piracema é um importante mecanismo de reprodução de alguns peixes, que induz a um processo reofílico (de nadar contra a correnteza), que queima a gordura dos peixes, ativando mecanismos hormonais complexos e preparando-os para a reprodução. A Piracema é comandada pelos processos físico-químicos relacionados com a elevação do nível das águas, em épocas de foto período mais prolongados e com temperaturas mais elevadas. Portanto, a oscilação do nível do reservatório, provoca a Piracema em períodos anormais.

2.3.3-Obstáculo na migração reprodutiva dos peixes

As barragens constituem grandes obstáculos à Piracema, migração reprodutiva dos peixes, reduzindo o espaço da migração e muitos peixes acabam se reproduzindo próximo aos canais de fuga das represas.

Este sim tem se apresentado como o maior impacto sobre a vida aquática. Para amenizar este problema, o que se tem feito é a construção de estruturas que auxiliam os peixes a vencerem o grande desnível apresentado pelas barragens.

Quando do fechamento das eclusas da barragem de Itaipu, uma área de 1500 km2 de florestas e terras agriculturáveis foi inundada. A cachoeira de Sete Quedas, uma das mais fascinantes formações naturais do planeta, desapareceu. Semanas antes do preenchimento do reservatório, foi realizada uma operação de salvamento dos animais selvagens. Equipes de voluntários conseguiram capturar mais de 4500 bichos, entre macacos, lagartos, porcos-espinhos, roedores, aranhas, tartarugas e diversas espécies. Esses animais foram levados para as regiões vizinhas protegidas da água.

As usinas hidrelétricas costumam provocar um outro tipo de impacto ambiental: as represas artificiais formadas pelas barragens dos rios ocasionam a expulsão de algumas cidades, povoados e florestas, e até a perda de solos cultiváveis e de material arqueológico, de riquezas pré-históricas que podem existir no sub-solo da área alagada.

Em 1977, com a conclusão da represa de Sobradinho, a 40 km de Juazeiro (BA), formou-se no rio São Francisco com lago artificial com área de 4.214 km2 e capacidade para 37,5 bilhões de metros cúbicos de água (maior que Itaipu, no Paraná). Essa represa (que submergiu quatro cidades – Casa Nova, Sento Sé, Remanso e Pilão Arcado – e dezenas de vilarejos) tendo onze hidrelétricas, com potência total de 13.000 MW.

Região de Sobradinho começa a ser inundada pelo São Francisco.
 
 A cidade de Sento Sé é coberta pelas águas, para dar lugar à barragem.
Cidade de Casa Nova (BA), que em 1977 foi submersa pela barragem de Sobradinho.
 
Barragem de Sobradinho, a 50 km de Juazeiro (BA), que forma o maior lago artificial do mundo
 (4.214 km2).

Fonte:

http://www.mabnacional.org.br

http://www.itaipu.com.br

http://mundoestranho.abril.com.br/ambiente/pergunta_287091.shtml

http://www.cepa.if.usp.br/energia/energia1999/Grupo2B/Hidraulica/ambiental.htm

http://www.ioc.fiocruz.br/pages/informerede/corpo/informeemail/080606/mat_2.htm

http://www.ons.org.br/educativo/perguntas_respostas.aspx

http://www.artigos.etc.br/historico-sobre-usinas-hidreletricas-e-seus-impactos-ambientais-no-brasil.html

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